segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Versão Prova 1

Roteiro Atividade

Lista de Exercícios MRUV

Lista de Exercícios MRU

Hiparco de Nicéia

 

 (190 a.C – 120 a.C)
          Hiparco, em grego Hipparkhos, nasceu em Nicéia, foi astrônomo, construtor, cartógrafo e matemático grego da escola de Alexandria, hoje Iznik, na Turquia. Todas as informações sobre a sua vida e obra são originadas das obras de terceiros como Ptolomeu e Estrabão.
Na obra que Cláudio Ptolomeu desenvolveu com base na reunião do conhecimento enciclopédico da época, o Almagesto, aparece numerosas referências a Hiparco, pois foi reconstituído partes do seu pensamento e das suas descobertas.
Hoje, Hiparco é considerado o fundador da astronomia científica e é também chamado “o pai da trigonometria”, pois na segunda metade do século II a.C., foi o pioneiro na elaboração de uma tabela trigonométrica, isto é, uma tábua de cordas, com os valores dos seus arcos para uma série de ângulos. Estes cálculos teriam sido usados nos seus estudos em astronomia.
Usando os conhecimentos dos babilônios, introduziu na Grécia a divisão da circunferência em 360º. Fez melhoramentos em algumas constantes astronômicas importantes tais como a duração do dia e do ano. Com essas medidas de tempo reajustadas, Hiparco pôde efetuar previsões de eclipses do Sol e da Lua com um grau de precisão jamais obtido anteriormente. No entanto, foi detectado, mais tarde, uma margem de erro de 6 minutos nos seus cálculos.
Foi este matemático que criou o primeiro astrolábio destinado a medir a distância de qualquer astro em relação ao horizonte e concebeu o sistema de localização pelo cálculo de longitude e latitude, dividindo o mundo em zonas climáticas.
Hiparco, através de um aparelho que seria o percursor do teodolito moderno, confirmou que a distância das estrelas não era fixa na esfera celeste (é a esfera de raio infinito centrada na Terra ou no Sol). A partir dessas observações, deduziu que o plano que contém a órbita da Terra deveria ter-se deslocado em sentido anti-horário.
Já convencido de que a esfera celeste não era constante, dispôs-se a fazer um mapa estelar, pois queria um catálogo onde pudesse registrar a luminosidade apresentada por cada estrela da sua época. A ideia era baseada na configuração dos astros que poderiam sofrer outras alterações além das periódicas, já conhecidas. Essas alterações talvez só passaram despercebidas pela lentidão com que se processavam.


Um pouco da História da Trigonometria

A palavra trigonometria trata do estudo das relações entre os lados e os ângulos de um triângulo:
tri - três
gono - ângulo
metrien – medida
A origem da trigonometria é incerta. O seu desenvolvimento deu-se principalmente devido aos problemas gerados pela Astronomia e Navegações, por volta do século IV ou V a.C., com os egípcios e babilônios.
Não se sabe ao certo se o conceito da medida de ângulo surgiu com os gregos ou se eles, por contacto com a civilização babilônica, adotaram as suas frações sexagesimais.
Os gregos fizeram um estudo sistemático das relações entre ângulos – ou arcos – numa circunferência e os comprimentos das suas cordas.
Já na antiguidade, por meio de observações elementares, os astrônomos sentiam necessidade de desenvolver métodos elaborados de medição. Pois frequentemente os problemas astronômicos requerem que certas partes de figuras geométricas imaginárias sejam deduzidas de outras, já conhecidas. Em geral isso faz-se mediante o estudo das relações entre os ângulos de um triângulo; ou seja, a trigonometria.
A "Trigonometria" era baseada no estudo da relação entre um arco arbitrário e a sua corda.
Os conceitos de seno e cosseno foram originados pelos problemas relativos à Astronomia, enquanto que o conceito de tangente, ao que parece, surgiu da necessidade de calcular alturas e distâncias.
Como medir uma altura inacessível?
O nome seno vem do latim sinus que significa seio, volta, curva, cavidade. Muitas pessoas acreditam que este nome deve-se ao facto de o gráfico da função correspondente ser bastante sinuoso.
A palavra cosseno surgiu somente no século XVII, como sendo o seno de um ângulo complementar.
Por sua vez, a função tangente era a antiga função sombra, que tinha ideias associadas a sombras projetadas por uma vara colocada na horizontal. A variação na elevação do Sol causava uma variação no ângulo que os raios solares formavam com a vara e, portanto modificava o tamanho da sombra.
  Em qualquer livro elementar de Física e Matemática aparecem as tabelas de senos, cossenos e tangentes. Já em 1700, o desenvolvimento da análise infinitesimal permitiu aos matemáticos calcular o valor das funções trigonométricas.
A divisão da circunferência
 
A circunferência dividida em 360º
Hiparco de Nicéia assim como a maioria dos matemáticos de sua época, era fortemente influenciado pela matemática da Babilônia. Como os babilônios, ele também acreditava que a melhor base para realizar contagens era a base 60.
Os babilônios não escolheram a base 60 por acaso. O número 60 tem muitos divisores – 1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30 e 60 – e pode ser facilmente decomposto num produto de fatores, o que facilita muito os cálculos, principalmente as divisões. Foi por essa mesma razão que, ao dividir a circunferência, Hiparco escolheu um múltiplo de 60:
           - Cada uma das 360 partes iguais em que a circunferência foi dividida recebeu o nome de arco de 1 grau.
           -  Cada arco de 1 grau foi dividido em 60 partes iguais e cada uma dessas partes recebeu o nome de arco de 1 minuto.
           - Cada arco de 1 minuto também foi dividido em 60 arcos iguais e recebeu o nome de arco de 1 segundo.
 
Minuto – sexagésima parte de um grau: 1º = 60
 Segundo sexagésima parte de um minuto: 1’ = 60”
Distância da1 Terra – Lua
          Hiparco concebeu um método simples e engenhoso para determinar a distância da Terra à Lua. O método baseia-se nas posições relativas do Sol, Terra e Lua durante um eclipse lunar, isto é, quando a Terra fica exatamente entre o Sol e a Lua.
Para medir a distância da terra à Lua, Hiparco nem precisou de utilizar o diâmetro da Terra. Imaginou dois triângulos retângulos, cujas hipotenusas ligariam o centro da Terra às bordas do disco solar e lunar, por ocasião de um eclipse da Lua.
Hiparco considerou que a duração de um eclipse lunar era equivalente a duas vezes o ângulo d, ou seja, 2 × d = T1.
O período orbital da Lua, isto é, o tempo que ela gasta para completar uma volta inteira (360°) em torno da Terra já era conhecido. Então estabeleceu uma segunda equação, T2 = 360º. E através de uma regra de três simples determinou uma relação entre as duas equações uma vez que a única variável desconhecida era d.
Posteriormente, através do seguinte esquema:

designou o ângulo c como o raio do Sol, ou seja, a metade do ângulo pelo qual vemos o disco solar. O ângulo a representa a metade do ângulo pelo qual um observador no Sol veria a Terra.
Utilizando os estudos de trigonometria, Hiparco verificou que a + b = c + d e como a é muito pequeno, podia escrever b = c + d.

 Mas Hiparco queria mesmo era o valor de X (distância da Terra à Lua). Para tal usou a seguinte razão trigonométrica,  , pois bastava calcular o valor de seno b consultando as tábuas trigonométricas.
Sendo assim, faltava descobrir quantos raios da Terra existem até à Lua. Então Hiparco escreveu o resultado em função de R.
O resultado obtido foi um valor de X entre 62 e 74 vezes R. O valor real fica entre 57 e 64, mas o seu erro é admissível tendo em conta a precisão necessária nas medidas angulares.


Referências:
·            http://www.zenite.nu/

Aristarco de Samos

Aristarco (320 a.C - 250 a.C) nasceu em Samos, na Grécia. Talvez por ser um astrônomo, não tenha tido tanto destaque quanto mereceu na história da Matemática até os tempos atuais. Por exemplo, Thomas Heath começou o segundo volume de sua história dos matemáticos gregos com as seguintes palavras:
A História dos matemáticos tem como regra dar pouca atenção à Aristarco de Samos. A razão, sem dúvida, é que ele foi um astrônomo, e portanto pode-se supor que seu trabalho não teria interesse suficiente para a Matemática. Os gregos o conheceram melhor, e o chamavam de "Aristarco, o Matemático".

Certamente, Aristarco foi tanto um matemático quanto astrônomo, sendo bastante celebrado como o primeiro a propor um universo centrado no Sol. Também é famoso por sua tentaiva pioneira de determinar os tamanhos e as distâncias do Sol e da Lua. Foi aluno de Strato de Lampsacus, que liderava o Liceu Aristotélico. Considerado por muitos o Copérnico da Época Clássica, este astrônomo revolucionou tanto a astronomia que seu nome foi atribuído a uma cratera lunar. 
Suas conclusões sobre a organização do Sistema Solar, mesmo que simples, são admiradas até hoje pela coerência que apresentam. Até então, as concepções mais avançadas eram as de Pitágoras e de Heráclides. Eles diziam que as estrelas eram imóveis; que a Terra estaria no centro do universo, mas apresentaria rotação; e que ao menos os planetas de Mercúrio e Vênus girariam em torno do Sol.
Aristarco foi além, afirmando que os movimentos de todos esses corpos poderiam ser mais facilmente descritos caso se admitisse que todos os planetas, incluindo a Terra, giravam em torno do Sol. Esse modelo heliocêntrico do universo foi, no entanto, considerado ousado demais e seu autor chegou a ser acusado de insulto religioso. Mesmo assim, a reação contra ele não chegou a ser tão agressiva quanto a que atemorizaria, quase 2000 anos mais tarde, Copérnico, Kepler e Galileu.
Os escritos de Aristarco sobre esse tema se perderam e só pudemos conhecer suas idéias porque foram mencionadas por Arquimedes. Porém, tivemos acesso a outros trabalhos de sua autoria. Em sua obra sobre os tamanhos e as distâncias do Sol e da Lua, Aristarco procurou determinar a distância Terra-Lua em relação à distância Terra-Sol, considerando o triângulo formado por esses três astros no início do quarto crescente.


Aristarco concluiu que o Sol estaria 20 vezes mais distante da Terra que da Lua. Embora a proporção verdadeira seja cerca de 400 vezes, o procedimento utilizado estava correto. Os instrumentos de medição de ângulos então disponíveis é que não permitiam obter valores mais precisos.
Aristarco também procurou calcular o diâmetro da Lua em relação ao da Terra, baseando-se na sombra projetada pelo nosso planeta durante um eclipse lunar. Concluiu que a Lua tinha um diâmetro três vezes menor que o da Terra (o valor correto é 3,7). Com esse dado, deduziu que o diâmetro solar era 20 vezes maior que o da Lua e cerca de 7 vezes maior que o da Terra.
Aperfeiçoando as medições ao longo dos últimos séculos, sabemos hoje que o diâmetro terrestre não alcança um centésimo do solar. Embora os seus resultados tivessem erros de uma ordem de grandeza, o problema residia mais na falta de precisão dos seus instrumentos do que no seu método de trabalho, que era adequado. Além disso Aristarco também calculou, com mais precisão do que a dos antigos sábios, a duração de um ano solar. As imprecisões de Aristarco assumem pouca importância frente a seu bom senso. Para ele, seria mais natural supor que o astro menor girasse em torno do maior, e não o contrário.

Astrolábio
Antigo instrumento para medir a altura dos astros acima do horizonte, utilizado na Idade Média para fins astrológicos e astronômicos.


Fontes: Bibliografia: Dictionary of Scientific Biography; Biography in Encyclopaedia Britannica; * Foto obtida do MacTutor History of Mathematics